terça-feira, maio 30, 2006

Correspondência

Oi! Eu sou o Roberto. Angela você é uma gata não é? Posso tratar você por gata posso? Eu vi o seu endereço num mail e lhe adicionei. Há já algum tempo que queria falar com você, talvez você não tenha msn. Seu nome é assim lindo e exótico. De certeza que não é do Brasil? É que se fosse eu queria ver você. Aposto que você está sempre recebendo e-mails de caras sem jeito mesmo. Olha eu não sou assim, sou legal e bonitão. Tenho 1,80 m, 38 anos, sou loiro de olhos verdes e não tenho namorada. Tem aqui o meu endereço e o meu número de telefone. Me liga estou ansioso em conhecê-la!
Oi Robertão! Posso te chamar assim não posso? Não gosto que me chamem gata, tenho pavor a esse bicho, mas parece que já te deste a essa liberdade. Ah és tu que andas há um mês a mandar-me convites para me juntar ao Zorpia e para o Bebo e para o Hi5 e não sei que mais? Pois, não tenho mesmo msn, que pena. Sim, o meu nome é mesmo lindo quanto ao ser exótico não tenho tanta certeza. Não sou do Brasil, nunca lá fui e não devo lá ir. Só tenho seis meses de vida e queria passá-los com os meus 5 filhos e o meu marido. É claro que se quiseres pagar as passagens e convidar-nos a ficar em tua casa… Mails não recebo muitos, pelo menos para este que é do trabalho. És legal e bonitão? Não duvido mas com a diferença de idades nunca nada poderia resultar entre nós (eu tenho 56)... Além que gosto de homens mais altos que eu e morenos. Só não compreendo como é que com esses atributos todos ainda não tens namorada. Pareces-me carente. Se quiseres posso te dar o nome de algumas instituições. Se quiseres um serviço mais especializado, as mininas da tua zona deverão ter todo o gosto em agradar-te, devem mesmo atropelar-se por ti, seu bonitão alto e de olhos verdes.




Xau Robertão

Ps: espero que encontres a gata que tanto desejas.

Ps2: se não paras de me assediar o meu marido vai aí e parte-te os c*****!

Beijinhos da tua Angela

segunda-feira, maio 29, 2006

A imagem

Transported by Passion por Werner Hornung

Quando não se consegue dizer nada e a imagem diz tudo.

domingo, maio 28, 2006

Bora lá ter um filho

Já alguém reparou na recente explosão demográfica entre celebridades? Nos últimos dois dias três casais foram abençoados com o nascimento dos respectivos rebentos. Catarina Furtado e João Reis, (pronto, estes não são bem celebridades), Gwen Stefani e Gavin Rossdale e o casal “tão bonito que até enjoa”, Angelina Jolie e Brad Pitt.
Pelos vistos eles combinaram ter, nos dias 26 e 27 de Maio os seus filhotes. Se não soubesse diria que era uma conspiração para a dominação do mundo, mas que estou para aqui a dizer, eles JÁ dominam o mundo. Ora vejamos, eles decidiram mandar a abaixo a teoria de que pobre é que tem filho. Em vez de multiplicar a pobreza multiplica-se a riqueza! Que bom que é para nós…
Casa com rico, multiplica a riqueza e depois a descendência estoira-a em luxo e excentricidades que nunca compreenderemos.
Seja como for, ninguém tem culpa do berço em que nasce e, quem sabe, até podem vir a ter juízo e dar a volta às nossas ideias preconcebidas. Aos papás os meus parabéns!

terça-feira, maio 23, 2006

Gostos

Gostos. Por qualquer razão que me escapa dizem-me sempre a frase "gostos não se discutem, lamentam-se", quando digo gosto de Max Ernst. Dizem que é estranho e eu pergunto porquê. Preferem retratos. E quando eu pergunto quais ou não se lembram ou não sabem responder. Se calhar preferem a Mona Lisa. "Ah isso também não". Não? Então não é um retrato? Pelos vistos não é bem isso que gostam... Dizem-me ainda que agora todos têm a mania das modernices. Que essas "modernices" não prestam e que estão a renegar e remeter para segundo plano os grandes mestres. É certo que sem os mestres não haveriam estes "modernos", mas não se pode viver sempre do passado. Um pouco como Portugal...
Talvez gostem é de um retrato em particular... É como eu. Eu não gosto de coisas estranhas. Gosto é de uma ou outra tela de Max Ernst.

segunda-feira, maio 22, 2006

Se o dizem...

O problema com a pontualidade é que não está lá ninguém para a apreciar.
A vida é agradável. A morte é pacífica. É a transição que é problemática.
Quem disse que o dinheiro não compra a felicidade não sabia onde a comprar.
O álcool não resolve problemas, mas o leite também não.

quinta-feira, maio 18, 2006

Só queria

Estar aqui...











E aqui...












E aqui...











E aqui...

E aqui!

quarta-feira, maio 17, 2006

Estes sabem do que falam!

Leis de Murphy
1) Quando as tuas mãos estão cobertas por uma substância pegajosa começas a ter comichão no nariz ou precisarás de ir fazer as necessidades.
2) Qualquer ferramenta quando cai vai rolar para o canto menos acessível.
3) A probabilidade de ser observado é proporcional à estupidez do teu acto.
4) Quando telefonas para o número errado a linha nunca está ocupada.
5) Se disseres ao teu chefe que te atrasaste porque tiveste um pneu furado isso irá acontecer-te na manhã seguinte.
6) Se mudares de faixa de rodagem aquela onde estavas começará a andar mais rápido e a tua mais lenta. (ALERTA piada parva: Não será porque és tu que não sabes guiar e estavas a empatar o trânsito na tua faixa?)
7) Quando o teu corpo está totalmente imerso em água o telefone toca.
8) A probabilidade de encontrares alguém que conheces é maior quando estás com alguém com quem não queres ser visto.
9) Quando queres provar a alguém que uma máquina não funciona, ela funciona!
10) A severidade da comichão é proporcional à dificuldade em chegar-lhe.
11) Em qualquer evento, as pessoas que têm os assentos o mais longe da coxia são as últimas a chegar.
12) Assim que te sentas com uma chávena de café quente, o teu chefe chama-te para fazer algo que só terminará quando o café estiver frio.
13) Se só houverem duas pessoas numa sala com cacifos, os cacifos serão adjacentes.
14) A probabilidade de sujar um tapete está directamente correlacionada com a sua novidade e o seu custo.
15) Tudo é possível se não souberes do que estás a falar.
16) Se alguma coisa pode dar errado, dará. E dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a que cause o maior dano possível.
Lei de Brown
Se o sapato serve é horroroso.
Lei de Wilson
Assim que encontrares um produto de que gostas realmente, ele parará de ser fabricado ou mudará para pior.

segunda-feira, maio 15, 2006

Mitos Urbanos II

Eis um mito que tem causado grande impacto, em particular nos dormitórios de estudantes nos E.U.A., – como não podia deixar de ser.
Reza a história que duas estudantes, muito amigas, tiveram um desentendimento por causa dos exames. Enquanto que Julie queria ir a uma daquelas famosas festas de irmandades a Meg queria ficar a estudar para os exames que, por sinal, estavam mesmo à porta.
Julie não conseguiu levar a sua avante e foi sozinha para a festa. Divertiu-se imenso, a festa estava a rebentar pelas posturas. O dormitório devia ter sido todo esvaziado. “Mau para ela”, pensou Julie sobre a colega de quarto. Mas às duas da manhã a culpa venceu-a: a colega tinha ficado no dormitório a estudar sozinha. Abriu devagar a porta. Chamou Meg mas esta não lhe respondeu. Talvez ainda estivesse zangada ou num sono profundo. Decidiu ir dormir para o quarto do namorado e percorreu às escuras o quarto à procura de roupas e outras tralhas, tentando não incomodar a amiga. A seguir, com todo o cuidado, saiu.
Na manhã seguinte Julie foi bem cedo para o quarto decidida a pedir desculpas a Meg por ter discutido com ela por uma razão tão parva. Quando chegou ficou chocada. O quarto parecia ter sido invadido por toda a esquadra da polícia. Eles perguntaram-lhe se ela morava ali e ela respondeu que sim. Eles deixaram-na entrar no quarto. E ali, escrito com sangue na parede tinha as seguintes palavras: "Não estás contente por não teres ligado a luz?" A sua colega era assassinada enquanto Julie recolhia as suas coisas.
Nota um: Tão cedo não durmo com a luz apagada.
Nota dois: Quando me convidarem para sair, não penso duas vezes: vou!!!

sábado, maio 13, 2006

Encontros

Costuma-se dizer que só damos real valor à vida quando temos um encontro com a morte. Eu tive encontro bastante próximo, para aí de cinco metros.
Eu olhava distraída pelo vidro quando ela passou a correr. Ela estava como eu, distraída. Acho que ela não percebeu o que aconteceu e o condutor do carro vermelho também não. Não ouvi o som de um carro a travar. Só ouvi o choque, diferente de qualquer som que já tenha ouvido. Silêncio. Uns segundos depois vejo o caderno dela a voar por cima do meu veículo. O rapaz saiu do carro com as mãos na cabeça que diziam: "o que é que eu fiz?"; "como é que isto me pôde acontecer?"
Quem olhasse para o vidro não diria ser possível que a rapariga pudesse sobreviver. Mas estava viva e a falar, estendida sobre a mochila de escola com os caracóis negros espalhados no alcatrão. Uma multidão juntou-se em poucos segundos a observar a cena. Devem ter sido rápidos a chamar o 112 porque dentro de cinco minutos cruzar-me-ia com as sirenes.
O sinal ficou verde e eu afastei-me. Fiquei a pensar sobre o que acabara de ver. O vidro entrara pelo carro adentro... O sangue na boca dela enquanto falava... Revoltei-me: porque é que ela atravessou ali? Não havia passadeira. Nem sequer prestou atenção. Ela nunca teria hipótese de evitar o acidente... E o condutor também não... Tão novinha... (O raio do caderno a cair e o sangue que não me saiem da cabeça). Pensei e pensei, não consigo explicar. Mas de todos os receios e de todas as dúvidas só uma me faz estremecer. Será que ela vai ficar bem?

quarta-feira, maio 10, 2006

Dilema de morte

Estás dentro do carro à beira de uma ravina com uma arma apontada à cabeça.
O amor da tua vida está pendurado numa árvore a morrer enforcado e o teu melhor amigo está amarrado atrás das rodas do carro. Dão-te a escolher: se fizeres marcha-atrás a pessoa que amas conseguirá apoiar os pés no capot do carro e viver, mas o teu amigo morre atropelado. Se nada fizeres salvas o teu amigo, mas aquele que amas morre enforcado. Que farias?

segunda-feira, maio 08, 2006

Põe as mãos no ar

Faltam apenas uns minutos. Ainda não começou e já estás todo suado. Queres correr para a primeira fila e respirar o mesmo ar dos teus ídolos. Cinco, quatro, três, dois, um... corre.
A sala explode de gente. Multidão em fúria de prazer. A música começa rápida, hipnotizante, perigosa, emocionante. Falam para ti mas não ouves. Tentam que tu os percebas mas não lês lábios, nem te dás ao trabalho. O suor escorre pelos olhos, pelo corpo. O espectáculo de luz só aumenta a cegueira. Estás a dançar o que não ouves. A ver sem ver.
Sorris para quem não conheces. Tocas quem não deves. Que interessa? A emoção é tanta! Parece que o mundo se juntou ali para teu júbilo. Quanta alegria. Não sabes quem te agarra e te eleva. Deixas de sentir o chão debaixo dos pés. Perdes-te dos teus. Não faz mal. Daqui a nada (algumas horas), já se encontram no estacionamento. Vês o mundo ao contrário. Faces bonitas e desconhecidas transportam-te pelo recinto. Uma multiplicidade de mãos percorre o teu corpo: não te vão deixar cair. Fazes parte da massa e deliras! Perdes-te no espaço e no tempo. Dão-te comprimidos. Uma viagem alucinante? Não. Estás a ter uma. Podem guardá-los... É impossível sentir mais intensamente que este momento.
O fim chegou rápido. Sem aviso. Sem encore. Fica para daqui a uns anos, talvez. Se a tua banda favorita alguma vez regressar ao teu país minúsculo. Valeu cada momento. A multidão dispersa-se atropelando-se para sair. As caras estão feias e cansadas. És o último a chegar ao ponto de encontro. Perderam o transporte. Estás de rastos e vão ter de ir a pé. Mas terão uma história para contar...

A abrir a época festivaleira.

quinta-feira, maio 04, 2006

Amor

Devaneio de um louco?

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fonte da dor

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tentação de mentira

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fim do ser?

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usa-nos e cospe-nos?

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a alma inteira incompleta.

OU

glória?

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desejo do bem

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sobre todas as coisas?

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sonhos sonhados;

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vividos;

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sentidos;

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espasmos de felicidade

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abençoado toque divino?

quarta-feira, maio 03, 2006

Funerais

O terceiro ocupante da viatura onde seguia o actor Francisco Adam faleceu. Será que o seu funeral também vai ter direito a transmissão em directo na TVI?

terça-feira, maio 02, 2006

As pequenas coisas

A felicidade está nas pequenas coisas. A minha questão é a seguinte: como podemos nós gozar as pequenas coisas se o dia só tem umas míseras 24 horas? Apreciar as pequenas coisas é para quem pode e não para quem quer e tem coisas grandes com que se preocupar.