sábado, abril 19, 2008

The Original BITCHES!!!

A moda existe desde que o homem teve a brilhante ideia de que teria de se cobrir. Fosse por que motivo fosse, proteger-se do frio, das feras ou de um sentimento de pudismo lá se lembrou de se tapar com o que houvesse à mão. Claro que na altura a 'roupa' não era igual entre pessoas, por isso, já se pode falar ainda que não tivessem consciência disso, de estilo pessoal. O tempo passa, as vestes tornam-se mais sofisticadas e ornamentadas, criam-se diferenças fundamentais entre as pessoas, como seres singulares que são, entre povos, entre classes. Hoje temos a sorte de olhar para trás devido aos inúmeros registos: sejam livros, fotografias, gravuras, testemunhos, etc. que sobreviveram para contar a história do vestuário. É, em primeiro lugar uma necessidade, depois o testemunho de uma personalidade. Nem todos podem adquirir um fato Armani ou um vestido Cavalli. Mas também nem todos têm dinheiro, o gosto, o corpo, ou a vontade. É a beleza disto tudo: o poder de escolha. E se quisermos andar mal vestidos... Quem é que nos vai dizer que não?
Essa é para mim a ideia peregrina e que anda a encher bolsos a olhos vistos. Que tal pegarmos em alguém com completa ausência de gosto e renovar o seu guarda-roupa (nas montras que escolhermos claro)! Primeiro, acho isso do mau gosto muito relativo. Eu posso achar que tenho um estilo eclético, jovial, primaverial e resumindo muito bonito e a vizinha do lado não. Enfim... a BBC criou um programazito que cedo se tornou dos mais vistos com duas fashion gurus, as quais nunca ouvi falar na minha vida, (embora reconheça um conhecimento muito limitado dos grandes nomes da moda na actualidade), em que amigos, colegas, etc. seleccionavam alguém que lhes parecia necessitar de intervenção urgente no guarda-fato. O programa What not to wear desenrolava-se com uma série de entrevistas mais ou menos contidas dos traidores em que falavam sobre a roupa da pessoa em causa e o que os motivava a denuncíar o mau gosto à BBC. Em seguida, eram as gurus que faziam comentários maldosos sobre as roupas enquanto viam videos da pessoa com as tais horrorosidades. Lá chegava o momento da confrontação em que sem desconfiar dos seus entes queridos a vitíma era atirada às feras de camera em punho e forçada sobre forte coacção psicológica a mudar todo o seu guarda-roupa. Sim, era com dinheiro oferecido pelo programa, mas em lojas por ele escolhidos, a roupa previamente aprovada pelas divas da moda. O fim do programa passava pela ideia de crescimento: antes era um patinho feio e agora um principe ou uma cinderela dos tempos modernos, muito fashion que ninguém poderá parar devido ao seu fortíssimo sentido de estilo!
Acho uma experiência muito interessante algo que nos levante a auto-estima e até um sentimento de realização pessoal, mas é no mínimo desnecessário ver duas tipas que não conheço de lado nenhum e ainda por cima mal vestidas (desculpem qualquer coisinha mas é verdade) virem-me dizer que naquelas roupas pareço uma vaca gorda ou uma puta se eu gostar daquilo que ponho no meu corpo! Enfim, estas cabrinhas estão, imagine-se só?! mais magras, com umas contas bem recheadas e com livros publicados. Entretanto, a versão alastrou para os E.U.A, onde se tem direito a uma versão mais soft, se bem que tirada a papel químico da original. E tornou-se moda fazer uma makeover, que entretanto passou a extreme e expandiu-se a outras áreas como a própria casa (home edition, people & arts) e até ao corpo!!! Agora o corpo é feio faz-se uma cirurgia, algo muito descomplicado para se aumentar a beleza, auto-estima e já agora, vaidade, narcisismo, egocentrismo. Na verdade basta haver um pequeno defeito para se fazer uma transformação total do corpo. E pelos vistos é desejável socialmente e até aceitável. Ok, por mim tudo bem. Só acho que o que é demais é exagero. Ver pessoas que até vestem bem mudarem completamente de estilo, por terem uma ruga fazerem implantes mamários e uma lipoaspiração, mudar o quarto de hospedes que tem um verde horrível que já não se vê desde os anos 80. Começa-me a parecer tudo mais distante e fútil e paranóico.

7 comentários:

john disse...

subscrevo.

se eu fosse a esse programa (lol, deves estar a rebolar na cadeira com riso ao imaginar esse cenário), as duas meninas (que desconheço) deviam ter um ataque cardíaco.

na sociedade em que vivemos, porém, há alguns cultos vagamente perniciosos: a beleza e a saúde (acrescentaria o ambientalismo, mas este é um pouco diferente). a beleza, como sabemos, é extraordinariamente volátil, e como tal, o que é cânone de beleza hoje poderá não ser amanhã. mas enquanto as modas não mudam, há que seguir a carneirada. a saúde é um problema delicado. falei disso hoje, a propósito de uma notícia curiosa (e previsível): os extremos a que a cruzada contra a obesidade chegou estão a conduzir jovens... ao extremo oposto. ou seja, à anorexia.
e aqui voltamos ao tal ideal de beleza, no caso feminina: a magreza, o culto do corpo, a procura de uma perfeição que não existe.

eu já estou como um célebre cronista da nossa comunicação social: no dia em que formos todos bonitos, saudáveis e desprovidos de vícios, não restará em nós o mais pequeno traço de humanidade.

(divaguei um bocado, não divaguei?)

Nomyia disse...

Podes divagar à vontade. Se todos vierem aqui dizerem que concordam e não discutirem minimamente a questão colocada não tem gracinha nenhuma!

Ainda sobre os americanos... Sabes que vim de viagem e fui logo apanhar a 'Spring Break'. Tive as conversas mais interessantes (ou definitivamente não!) com eles. Ouvi barbaridades que que me davam vontade de bater com a cabeça nas paredes até deitar sangue e outras coisas mais ou menos bestiais como essa. Isso também contribuiu um bocadinho. E não, não se esgota na cultura ou ausência dela.
Preconceituosa... Tenho de admitir que neste momento... Sou e muito. Provem-me o contrário por favor até agradeço, a sério, que se vejo que todas as alminhas são assim, estamos todos lixados...
*****

john disse...

Nomyia,

todos somos preconceituosos. espalharmos aos quatro ventos quão livres de preconceitos somos é uma perda de tempo, e uma queda na mais banal hipocrisia. ou, se quiseres, é mijar contra o vento.

(bela imagem, hum?)

quanto às conversas, não duvido. não duvido mesmo nada.a sensação deve ter sido mais ou menos semelhante à sensação que tenho quando falo com algum jovem português entre os 15 e os 20 anos - e, até, com muita gente da tua idade, ou da minha. há excepções, conheço algumas (e conheci algumas recentemente), e isso faz-me pensar que nem tudo está ainda perdido, apesar de caminhar perigosamente nesse sentido.

é quase como aquela velha história de os teens/protoadultos de hoje em dia acharem que são "liberais" por serem a favor do aborto, da despenalização das drogas leve ou do casamento entre homossexuais, por exemplo.

;)

o problema de que falas, no fundo, não é dos americanos em particular. é de todo o mundo, e de todos nós em geral. os americanos estão a jeito. quando eles declinarem, estarão os indianos e os chineses a jeito. and so on :)

já agora, gostei do novo visual do blog! mas este laranja todo não se deve ao psd, pois não? =)

Nomyia disse...

Ai não sei não. Gosto muito dos chineses e indianos! É preconceito mas ao contrário :D

Então não? PSD sempre!!! Não, apenas estava cansada do visual escuro. E este pareceu-me conciliar as coisas. Agradável sem ser aborrecido ou demasiado espampanante!
*****

john disse...

pois pois. andas em campanha, é o que é. também queres ser líder dos laranjas, é? se é o tachinho político que procuras, aproveita a onda!

Nomyia disse...

Oh pah a Manuelinha já apresentou a sua candidatura tou a ponderar seriamente a desistência... :(
*****

Alien David Sousa disse...

Sabes Nomyia, eu conheço é o outro programa que é igualzinho ao que descreveste aqui, mas, apresentado por um casal.Também apanham a presa desprevenida e depois lá lhe dão um cartão com um montante para as mãos para esta ir às compras, com a condição de deitar fora todo o seu antigo garda roupa.

Já vi gente muito mal vestida, ficar à posteriori muito contente...talvez porque as roupinhas são caras e deu jeito ter umas peças novas. Mas, concordo contigo, para mim não faz sentido vir alguém não sei de que planeta - se perto do meu ou não - dizer o que devo vestir ou não.No entanto se reparares nas pessoas que são "apanhadas", são de classes baixas e não sei se colocam as questões que nós colocamos. Simplesmente ficam felizes por terem roupa nova para passear ou levar a passear para o emprego.

Quanto aos outro programas que mencionaste, existe um ao qual tiro o chapéu.

Não é o home edition aonde eles apenas renovam uma parte da casa.
Mas sim, outro programa apresentado pelo TY, aonde eles constroem uma casa em 7 dias. O que acho fabuloso neste programa é que eles procuram pessoas que realmente necessitam de ajuda. Era o de uma senhora que estava a lutar contra o cancro e tinha 6 filhos, vários que adoptou ...era uma pessoa muito acarinhada pelos projectos que mantina na comunidade e nunca dizia não se via uma criança na rua a necessitar de uma casa. Achei fabuloso o que eles fizeram. Chegaram em atenção determinados aspectos na casa tendo em conta a quimioterapia dela e os germes...fabuloso.
No final ainda arranjaram forma de os filhos dela terem uma bolsa para a faculdade quando chegar o dia. Ela disse que agora independentemente do que lhe acontecesse já estava mais descansada. Acredita que me comoveu esse programa. Mas já assisti a outros que também foram fabulosos, ver familias a viver em casas que mais parecem barracas e passado 7 dias terem uma casa, é demais.

Os outros programs, são variantes do Big Brother, nada mais.

Beijinhos