quinta-feira, março 13, 2008

Mitos Urbanos IX

Era uma vez um homem que tudo tinha de pessimista e anda, assim pensava ele, de bom na vida. Trabalhara numa firma durante anos a fio abdicando da hipótese de ser feliz para se ver mais uma vez ultrapassado numa promoção por um colega mais jovem, mais atraente, mais tudo aquilo que ele não era. Ficou arrasado e decidiu, por fim, dedicar-se ao que realmente importava: constituir uma família. Em 30 anos chegara sempre a horas e não tinha uma única falta, por isso, naquele dia saiu mais cedo. Não ia adiar mais a vida! E decidiu pedir a namorada em casamento. Passou numa florista e pediu o bouquet mais caro e mais bonito da loja e numa joalharia comprou um anel de noivado que lhe custou o salário de alguns meses. Mas, a sua menina merecia. Tantos anos a aturá-lo, sem a hipótese de algum dia ver a formar família com ele, o relógio biológico a dar horas e a não poder satisfazer o desejo de ser mãe.

Chegou a casa vestindo o seu melhor sorriso para se deparar com um desastre. A sua bela, fiel e paciente namorada de tantos anos traia-o com outro homem, na sua própria cama! Ele não disse nada e ela limitou-se a encolher os ombros quando o viu. Mais atrapalhado só o amante. O olhar dela dizia tudo: ‘O que é que esperavas? Cansei-me de esperar por ti, já vens tarde’.

Ficou arrasado, nunca seria promovido a director da maldita empresa que lhe roubara a vida, a sua namorada acabara de o trocar por outro e nem queria imaginar a quantidade de vezes que a sua casa, a sua cama tinha sido palco da traição descarada!
Decidiu acabar com tudo. Afinal, não valia a pena viver… E para garantir que tudo correria bem engendrou um plano magnífico. Enrolar uma corda à volta do seu pescoço que prendeu à beira dum precipício, tomar veneno, regar o corpo com gasolina e dar um tiro na cabeça para acabar com a sua existência miserável de uma vez por todas.
Assim, tratou da corda, regou-se com gasolina, ingeriu o veneno e pegou na arma. Acendeu um cigarro, e deixou-o cair sobre si, lançando depois o seu corpo rapidamente coberto pelas chamas do precipício. Infelizmente, sucedeu uma cadeia de acontecimentos que não esperara…
Como o seu pescoço não partiu com o salto tentou dar um tiro na cabeça, mas o fogo e o veneno desorientaram-no pelo que o tiro falhou a sua cabeça e acertou na corda que se partiu indo cair ao mar. O fogo apagou-se de imediato e a quantidade de água salgada que lhe entrou pela boca adentro fê-lo vomitar o veneno, de outra forma letal. Óptimo, pensou, não sei nadar, assim posso afogar-me, quando sentiu um braço puxá-lo para dentro de uma embarcação. Pescadores que tinham visto a cena muitos metros abaixo apressaram-se a resgatá-lo.

Nem para me matar presto. O homem safou-se com cicatrizes das queimaduras de segundo grau, dificuldades respiratórias resultantes do enforcamento e da corrosão interna provocada pelo veneno até ao resto da sua vida.

3 comentários:

Betty Branco Martins disse...

querida____________Nomyia



para se nascer é preciso sorte_________na hora!


o que não é o caso desta personagem_______...




parabéns está um texto____todo ele muito bem enquadrado


excelente









beiJo c/ carinhO

Alien David Sousa disse...

Nomyia, este MITO fez-me rir! lol

Coitado do homem. Esperava algo macabro, esperava que me assustasse...mas tive de rir.

Um beijinho GRANDE
p.s que venham mais MITOS URBANOS :D

Rui disse...

Gostei do post e do blog em geral.
HEI-DE IR... VOLTANDO!
Rui V.