sexta-feira, janeiro 12, 2007

"Porque eu mereço"

Ora, como cidadã do Estado português e membro da sociedade, em geral, que se sente lesada aqui vão as minhas razões de queixa:

  1. Jornada de Trabalho entre 10/12 horas por semana:

a) Pois que eu sou estudante, não excessivamente esperta para me armar em chica-esperta e delegar aos outros, o trabalho que se me impõe, exijo a devolução na totalidade, das minhas propinas. Que isto de trabalhar e não ter férias é uma grande chatice, mais valia gastar o dinheirinho numa viagem pelo mundo que de CERTEZA seria muito mais proveitosa. E já que trabalho que nem uma mula e resultados nem vê-los, cheguei ao ponto de preferir ser uma burra viajada e com experiência que um ratinho de biblioteca que vive num estado de intelectualidade e exercício mental absurdos!

2. Ausência de período de lazer e/ou descanso:

a) Este é consequência directa do ponto anterior (nº1, alínea a), mas qualquer oportunidade extra de me queixar é ganho! Ora, além do levantar cedo, cedissímo aliás e do período normal de escravatura laboral, (sim que é trabalho não remunerado), e da perda de duas horas em deslocações, restam-me horas irrisórias para adiantar e/ou terminar a correr trabalhos que têm datas de entrega absolutamente rídiculas. Ah e tal, eu até estudo um pouco, até estou um pouco atenta nas aulas mas, sei lá, não seria normal possuir algum tempo para mim? É que após as tais 10/12 horas de trabalho e respectiva deslocação, tudo o que se deseja é um banhinho quente e a caminha fofinha, mas é isso que faço? Taxativamente não. O banho é igual a duche, o jantar miserável, que nem aí o stress nos larga e que vamos fazer a seguir? Ler um livro? Sair com o namorado? Falar horas no msn com amigos? Vêr TV sequer? NÃO! Ir agarrar-me a um monitor, e continuar a trabalhar! É que nem para actualizar o blog...buáaaaaaaaaaaaaa.

b) Quanto ao período de lazer propriamente dito, é escassissimo... Quer-se dizer, pôr em dia as palavras não ditas e os gestos não sentidos durante uma semana em poucas horas é, no minímo difícil. E que tal satisfazer os caprichos de uma jovem com um chocolate quente ou até uma roupinha nova? (Sei que estou a ser materialista mas, por esta altura, já me ESTOU NAS TINTAS!)

3. Ser constantemente ultrapassada por velhinhas nas filas para o autocarro.

a) Talvez este ponto seja um pouco parvo mas, ser sistematicamente ultrapassada, por senhoras que sabem que eu estou na fila, um lugar à frente delas, é EXTREMAMENTE irritante! A maioria das vezes o bus vai quase vazio e mesmo assim as velhotas passam à frente como se tivessem mais direitos que os outros! É que meus senhores, ser idoso não é sinónimo de se fazer tudo o que se quer. Parecem daqueles putos que fazem birra quando não têm o que querem. Se tiverem problemas de deslocação, invalidez ou carregadas com sacos concedo-lhes o direito de se sentarem no meu lugar que também não custa nada. Agora armarem-se em peruas e espetar o peito descomunal para a frente como se fosse tudo delas é que não! A andar, a andar...

4. Ser assediada por velhos, ucranianos e homens das obras.

a) Até quando terá uma rapariga que aguentar que homens repugnantes com falta dele mandem bocas nojentas? Os velhos, acho que se compreende, é quase pedofília! Os ucranianos, bem, não é que seja xenófoba mas dizerem coisas com um certo tom numa língua incompreensível é deveras incómodo. Ah e já agora, pedidos em casamento para ficar no país não vale ok? E também não é muito lisonjeador! Os homens das obras, hoje em dia, é auto-explicativo mas dispenso tá??

PS: Por hoje é tudo mas do jeito que as coisas andam devo ter mais de que me queixar nos proximos dias!

sábado, janeiro 06, 2007

Mitos Urbanos VII

Há muito que não passam uma noite a sós. Desde que o filho nascera que as noites mal dormidas, idas ao médico e o mar de telefonemas a dar os parabéns pelo feliz acontecimento, não lhes deixavam tempo livre para aproveitar a companhia um do outro.
Naquele dia tiveram sorte, conseguiram arranjar uma babysitter, toda ares de paz e amor, muito hippie, com um ar de menina certinha e com cabeça. Assim, saíram para um jantar romântico e uma ida ao cinema.
O casal saiu e a rapariga não foi ver se o bebé estava a dormir. Como a criança dormia não devendo acordar tão cedo, nem os seus pais chegar antes da meia-noite, a babysitter fez aquilo que qualquer rapariga faria: foi buscar os phones e… Comprimidos?
Tropeçava em si própria tentando dançar ao luar e o conjunto de cores vítreas ofuscava-a. Fechava os olhos meio cega mas as luzes eram tão sedutoras… Se esticasse as mãos quase que lhes poderia tocar. Ouviu um som. “Anda cá Glu-glu”…
Uma hora depois a jovem mãe, não descansada por deixar o filho só, pela primeira vez, resolveu telefonar à babysitter que lhe assegurou que estava tudo bem. O filhote estava-se a portar muito bem, não fizera barulho nenhum e até já pusera o peru no forno.
A mãe, aliviada, desligou o telefone, mas depois uma sensação estranha atravessou-lhe o corpo. O marido, que ouvira a conversa sentiu o arrepio e perguntou: “Mas tu deixaste algum peru para fazer?” “NÃO! Vamos JÁ para casa!”

sábado, dezembro 30, 2006

Acabaram-se as Resoluções.

O titulo nada tem de enigmático. É mesmo isto. Este ano não vou fazer desejos. Afinal, desejar para quê se as coisas não acontecem por artes mágicas? Péssimista? Nunca fui. Talvez, até me sinta mais optimista que nunca. Porque me aconteceram coisas boas e coisas más, como em todos os restantes anos da minha vida. E quer-me parecer que 2007 não será muito diferente. As coisas más vieram e foram. As boas... Bem, foram e são muito boas (sorriso pepsodente)!
Anos houve em que desejava ardentemente paz, amor e saúde e não obtive nenhuma... Enfim, se algo de bom acontece, das duas uma, ou foi o destino (não acredito muito nisso), ou porque lutamos e suamos e combatemos pelos nossos objectivos. E já tenho alguns para o próximo ano. Quem sabe se não estarei ainda aqui, no final de 2007 a fazer um balanço do ano?
Apenas sei que passarei o meu final de ano com aqueles em que admiro o sentido de amizade, lealdade, amor... , decidida apenas a aproveitar o momento. As doze badaladas soarão e sem desejos festejarei, aproveitando o que de bom tenho nesta vida única e, porque não, bela.
Sejam felizes...

terça-feira, dezembro 26, 2006

Coisas que um homem deveria saber sobre ser pai

1. Não te preocupes... O teu pai também não sabia o que fazia.
2. Bem, talvez seja mesmo melhor preocupares-te!
3. Nunca digas a ninguém o que tu e a tua mulher estão a "tentar"! Não precisamos de ficar com essa imagem na cabeça, a sério.
4. Nunca digas onde concebeste o teu rebento, quanto tempo demorou ou que música estava a tocar.
5. NÃO DÊS O NOME AO TEU FILHO de uma cidade, ponto geográfico, sistema solar, estações, plantas, animais ou estrelas de t.v.
6. O teu filho, à nascença, já tem uma relação complicada com a sua mãe e tu, no primeiro ano, serás apenas uma curiosidade. Uns anitos depois, uma montanha russa. Depois, um árbitro. E, por fim, um banco.
7. Se vais sujeitar o teu filho a uma cirurgia naquele sítio, insiste numa anestesia local para o teu filho, faz favor!
8. Se a criança tiver uma irritação por causa das fraldas, aplica uma pomada própria mas, não te esqueças primeiro de limpar e de voltar a pôr uma fralda!
9. Razão porque os rapazes são melhores: não ficam grávidos!
10. Razão por que as raparigas são melhores: é menos provável que sejam presas!


PS: Há mais motivos aqui (são 72!) Seleccionei alguns, traduzi-os, ah e também fiz uma pequena interpretação livre.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Paz e Amor não fazem mal nenhum



Estou farta de andar a passear pela blogosfera e ler quem me dera que o Natal passasse a correr, o Natal é só consumismo e lá vou eu ter que dar prendas, etc, etc, etc,... Que o Natal é uma coisa muito má, as pessoas são péssimas umas para as outras o ano todo e depois para receber uma prenda, andam a dar prendas baratuchas que não interessam nem ao menino Jesus, para ver o que lhes calha na bota. E, pelos vistos, todos acham o Natal um monstro horrendo de consumismo e que levar as crianças para um centro comercial é uma agonia: compra, compra, compra...
Mas, também parece que os lares continuam a celebrar o Natal. Em que é que ficamos? Em escrever no blog o quanto odiamos esta época e o quanto odiariamos que desaparecesse e, em seguida, ir comprar prendas para oferecer ao primo em 2º grau mais isto e aquilo? Porque não focarmo-nos antes nas coisas boas? Digo eu, que o Natal tem algo de bom. Retirando-lhe o significado religioso continua a ser uma época de paz entre os homens. Porque não limitarmo-nos a desejar o melhor ao próximo em vez de desejar que este tropece e caia sobre a sua cara?Bah...
Eu não detesto o Natal e nem sequer o amo mas, acho que queixar-me o ano inteiro de quão má é a vida não é saudável e em nada contribuirá para a minha felicidade. Por isso, deixem-me, se faz favor, ser ingénua e acreditar que apesar de tudo, há muito calor humano, que o próximo ano será melhor, que por mais um Natal tive a sorte de estar com a minha familia ao redor de uma mesa rica...
E é isto que desejo a todos...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Só quero

a minha manta a tapar-me até ao nariz, o meu chocolate quente, o meu sofá fofo, o meu filme de terror e uma noite escura. É pedir muito???

Obrigada

sábado, dezembro 09, 2006

Descobrimentos

Navegando pela internet encontram-se as coisas mais fascinantes:
Excelente, para quem gosta:
Arte Surrealista: As pinturas variam entre o estranho e absurdo, belo e horripilante mas vale a pena espreitar.
Dois sites girissímos para quem quiser "artilhar" o seu blog (totalmente grátis)
1 (de tudo um pouco, murais, frases engraçadas...)
2 (este é para as meninas)
Para quem goste de coisas mais... er, bem, realistas aqui vai uma exposição de corpos humanos!

domingo, dezembro 03, 2006

Sonhei contigo esta noite

Deitei-me e fechei os olhos. Os sonhos apanharam-me depressa e desprevenida. Encolhi milhões de vezes e tornei-me no ser mais diminuto que existe. Descobri, na minha pequenez, uma súbita urgência de encontrar um corpo quente. E encontrei-te a ti. Através de paredes, de prédios, de ruas, de um espaço distante senti-te. Atravessei todos esses obstáculos que afinal não eram obstáculos nenhuns, que eu conseguia ultrapassar tudo… Só para estar perto de ti. Mas se te consegui, quero-te completamente e devagar, saboreando cada momento. Quero estar sob a tua epiderme, viajar no teu fluxo sanguíneo, percorrer todo o teu corpo e vir-te até ao coração. Quero sentir-te. Quero que sejas parte de mim. Quero que sejas meu!
Eu não sou um corpo invasor, sou uma parte que perdeste há muitos anos e agora regressa ao corpo de partida, ao local de origem. As tuas células sabem-no e tu também. E quando nos tornamos um só e a fusão parece fatal e irremediável algo me puxa para trás… Logo agora, no preciso momento em que chego aos teus lábios e vou torná-los rubros, na forma de beijo quente… Mas não, umas forças invisíveis continuam a puxar-me e cada vez mais me afasto de ti. Regresso no espaço, pelas ruas e prédios e paredes de onde vim. Materializo-me de novo numa menina que está a dormir e já não te sonha, nem te sente…
PS: Eventualmente este blog voltará à (a)normalidade... Ou não...

terça-feira, novembro 28, 2006

O gorro vermelho

A cada novo dia um só ritual: fazer jogging pelas concorridas ruas da cidade. Ás vezes com amigos e se, se adiantasse só. Fazia os 8 km sem esforço e ao final sentava-se no parque durante 5 minutos apenas a observar. Um pai a ensinar o seu filho pequenote a andar de bicicleta, um senhora, alheia aos protestos reprovadores de quem passava a atirar pão aos pombos. Um casal muito enamorado a tentar evitar uma explosão de afectos e carinho na via pública e… No banco, ao lado dela, um gorro. Grande, vermelho, perfeito. Um gorro de Pai Natal, perdido num banco de um parque em meados do décimo primeiro mês. E olhou de novo, ali estava ele, tão lindo e sozinho.
Piscou o olho ao petiz que já conseguia avançar uns cinquenta centímetros completamente sozinho. A criança esboçou um sorriso de tamanho de todas as coisas lindas. Ela apontou para o chapéu. Vestiu-o e vestiu um sorriso. Os olhos do pequenote brilhavam. A senhora parou de alimentar os pombos e olhou. O casal afastou a paixão dos seus desejos mais prementes e, também eles, ficaram a observar a cena. Estaria ela a fazer papel de ridícula? Um gorro de Dezembro numa cabeça jovem de Novembro? Uma mãe Natal vestida com uma t-shirt antiga e calças de treino? Tirou o gorro.
A corredora olhou em frente: o pequeno aprendiz de ciclista caíra e magoara-se. “Vês? Eu não te avisei?”, admoestou o pai. “Anda vamos. A tua mãe está a tua espera”. A senhora dos pombos tinha desaparecido. O jovem casal entregara-se, uma vez mais, aos prazeres carnais.
A magia fora-se. Não mais haveriam sorrisos inocentes nem olhos brilhantes. Afinal, não passava de uma corredora que tinha encontrado um gorro vermelho. Sem ele, não existia a felicidade. Era símbolo do bem e símbolo do mal. Porque é o que todos desejam mas só alcançam num único dia, o dia em que se pode ser feliz. “Acho que perdeste isto!”, disse-lhe a amiga de todas as corridas, que surgiu de detrás do banco, pondo-lhe o gorro na cabeça. “Anda lá correr mais uns quilómetros a ver se alegras esse espírito, estás com cara de quem ainda corria mais oito!”
PS: Em resposta a um desafio aqui.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Cantina Gourmet

Esparguete com carne (inexistente)
Escalopes de porco (cortáveis a moto serra)

E depois ainda há os especiais:

Na sopa:
Tufo de cabelos
Esfregão

No prato principal:
Azulejo
Larva
Pedra

Muito sinceramente, não preferiam passar fome? É que uma pessoa se cansa de reclamar e de mandar bocas. Um dia destes faço uma manif EXIGINDO COMIDA DECENTE ou então, o que já me passou imensas vezes pela cabeça, obrigar as senhoras da cozinha a consumir aquilo que confeccionam, o que, no estado em aquela cozinha se encontra duvido. Não, esperem, já vi que o que está na moda são as ameaças de bomba…

quarta-feira, novembro 22, 2006

Mitos Urbanos VI

Sabem quando um casal precisa de ir à rua e deixa os filhos em casa? Pronto, foi isso que aconteceu. Neste caso, os pais de uma rapariga que deixaram sozinha em casa, protegida pelo cão, um collie adulto. O casal avisou à filha para fechar e trancar todas as portas e janelas. E a rapariga, como filha obediente, assim fez. Quer dizer, houve uma janela na cave que não se queria fechar completamente. Por isso, deixou a janela como estava e subiu para o quarto.
Às 12 horas, quando decidiu que já tinha jogado no computador o suficiente foi-se deitar e aninhou-se com o seu cão. A dada altura, ela acordou sobressaltada. Ela virou-se e olhou para o relógio… Eram 2:30. que a teria acordado quando ouviu um som… Parecia que algo estava a pingar. Ela pensou que tinhVoltou a aninhar-se nos cobertores pensando no a deixado a água a correr e agora estava a pingar no lavatório. Pensando que não era nada decidiu voltar a dormir. Mas sentiu-se nervosa por isso, levou a mão fora da cama e deixou o cão lambê-la para se sentir segura. Às 3:45 voltou a acordar com o som. Estava zangada mas voltou a tentar adormecer de novo. Levou a mão de novo fora da cama e deixou o cão lamber-lhe a mão. Adormeceu.
Às 6:52 decidiu que já estava farta. O maldito som não a deixava dormir. Mesmo a tempo de os seus pais chegarem a casa. “Boa”, pensou. “Agora alguém poderá arranjar o lavatório porque sei que não deixei a água a correr”. Foi a casa de banho e lá estava o seu collie, pendurado na cortina do banheiro! O som que ouvira tinha sido o seu sangue a escorrer para uma poça, no chão. A rapariga gritou até aos pulmões não lhe permitirem mais e depois correu para o quarto para arranjar uma arma, no caso de ainda lá estar alguém… E no chão, perto da sua cama viu uma pequena nota, escrita a sangue: “Minha querida, os humanos também sabem lamber…”
PS: Se calhar sou eu que estou sensível ou então sou mesmo medricas (admito!) mas, este mito deu-me mesmo arrepios!

domingo, novembro 19, 2006

Processo/InDecisão (ou mais uma história do baú)

These are the toughts that catch my trouble head
when you are away
and I am missing you to death
...
These are the toughts that catch my trouble mind
when you are away
but I do mind
...
Escrevinhava numa fúria de inspiração quando ligava o mp3. Ela aparecia assim, como que de lado nenhum e em todo o lado, na escola, no trabalho, no metro, no autocarro. Puxava da caneta e do papel meio escrito, meio amarrotado dos jeans rasgados. A música entrava... E ecoava e não queria sair... Já ia na terceira música e ainda a primeira não tinha desaparecido. "These are... These are... Ah, já sei"... E apontava e riscava, reescrevia e relia e voltava a riscar. "Assim, está bem. Próxima. Desta não gosto! Bah..." E punha-se a carregar furiosamente nos botões. "Não gosto. Disto também não. Demasiado rápido. Demasiado lento. Esta sim!" Algumas das pessoas à volta apercebiam-se das indecisões e achavam piada ao processo criativo da criatura. Enterrava-se de tal forma no sistema que tudo à volta desaparecia. Entre paragens bruscas e pessoas a entrar e sair. Gente a amontoar-se e gente que pura e simplesmente não se importava. Gente a entrar. Gente a sair. "Não consigo acabar esta, que raiva!" Alguém do outro lado da camioneta gritou: "a senhora desculpe". E ela nada. "Olhe, faz favor?" ... Passos pesados e impacientes percorreram todo o corredor e foram até ao banco da personagem. Pararam. Como ela continuasse a não ouvir, retirou um dos phones, ao de leve, do ouvido. "Olhe vai ter de sair aqui." "Mas, porquê?" disse a personagem confusa. "É a paragem terminal..."

terça-feira, novembro 14, 2006

Luto/InDecisão

Caminhava com passos rápidos e esquivos, fintava não se sabe bem o quê... Olhava para trás só por olhar porque ver não via... Abria a mala, vasculhava-a de uma ponta à outra e retirava a chave com uma destreza só vista. Então, se um vizinho estivesse a chegar ao pé de si ainda mais depressa retirava a chave. Não queria ser vista e muito menos que lhe falassem.
Corria então pelas escadas, perdendo o fôlego a meio caminho. E ao fechar a porta atrás de si sentia-se segura, atirava o casaco para ali e a mala para acolá. Puxava o cachecol e deixava-o espalhado pelo corredor. Corria para o espelho: olhos negros e encovados, pele fria e macilenta, madeixas de cabelo caindo... Não era narcisa, apenas indecisa. Viver ou morrer ?
As paredes que a rodeavam eram cruéis, imitavam-na. Frias, vazias e pareciam querer deixar-se ficar. O telefone desligado, o e-mail entupido e cartas por abrir. Que nem se daria ao trabalho de ir verificar... Que sentido teria? Que sentido teria fazer o que quer que fosse? Pegou no diário e decidiu escrever uma carta. Escreveu para ele... Recordou os belos momentos mas, a tinta insistia em imprimir os maus. Talvez fosse melhor escrever um poema. Não, era demasiado doloroso. Escrever linhas de amor para ninguém? Atirou o diário para o chão. Foi embater de encontro as coisas dele, no canto do quarto pouco mais que vazio. Amaldiçoou-se. Correu para aquele canto tão querido. Ajeitou a almofada, dobrou os lençóis de linho branco... Tentou cheirá-los, os últimos resquícios daquela vida. Abraçou com força a almofada... Pelo canto do olho avistou um pêlo branco...
PS: Mal escrito, há muito tempo... E nem sei porquê...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Frases assim...

Conservar algo que possa recordar-te, seria admitir que pudesse esquecer-te.

William Shakespeare

terça-feira, outubro 31, 2006

Hoje!

Vou "espantar bruxas"! Até amanhã!

domingo, outubro 29, 2006

Medo, muito muito Medo

Durante dois dias tentei, sem sucesso escrever aqui qualquer coisa. Já estava a ver o fim a este cantinho obscuro nas teias da web. E entrei a meios que em pânico porque se não tenho uma relação a modos que amorosa e sexual como o Negative Creep/Pedro já não sei escrever sem escrever aqui. E se pouco cá venho é lamentável, mas que dona mais negligente!

Fui

o número 727,278, espalha a palavra! Encontrei aqui. São só dois minutos na tua vida.

segunda-feira, outubro 23, 2006

É mais ou menos assim

Net periclitante (belo palavrão). Odiar segundas-feiras... Até acho que há uma música com esse nome, hei-de descobri-la. Papelada que se acumula. Cansaço, sono, aborrecimentos, alegrias, medos, transições, esperanças, novidades e emoções fortes... Blogger Beta, a experimentar, é só encontrar forma de fazer um buraco no tempo. Chuva, com direito a uma molha digna de um mergulho na piscina. Nada de jeito para dizer... Ficar-se calado.
PS: Foram estes os factos/pensamentos/emoções/qualquer coisa que me têm afastado do blog. Só faltava agora esquecer-me da password.

sábado, outubro 14, 2006

Mulher presa por ter uma colecção…curiosa

A dançarina exótica, (que é como quem diz stripper), Linda Kay de South Plainfield, New Jersey, foi presa esta sexta-feira, (não sei qual a sexta-feira que este artigo já não é muuuuuuuuito recente), e acusada de “posse indevida de despojos humanos”, (sim, isso mesmo que leram), depois de a polícia ter encontrado seis crânios e uma mão num frasco com formol no seu apartamento. A polícia deparou com este cenário macabro quando respondeu à denúncia de que haveria uma tentativa de suicídio (evidentemente não a Kay), nesse apartamento. Kay foi entretanto libertada com uma fiança de 100 mil dólares (não me apetece fazer agora a conversão mas que é muito dólar lá isso) …
Duas pessoas que conhecem Kay foram entrevistadas pelo The Star-Ledger de Newark e disseram que a mão, a que Kay atribuiu o nome carinhoso de “Freddy”, (a sério), foi uma prenda de um estudante de medicina que frequentava o bar onde ela dança.
A mãe de Kay, Patrícia Ann, disse ao jornal que a filha comprou os crânios a partir de um catálogo, via Internet. Ela disse ainda que a sua filha sempre foi fascinada pelo macabro e que quando ela era garota já coleccionava crânios de animais e esqueletos de cobras.
“Ela tem um gosto pelo dramático” e “eu nunca tentei evitar que os meus filhos fizessem aquilo que querem. Desde que estejam felizes e não magoem ninguém…”
PS: Tirando as tiradas do costume, o texto foi traduzido na integra e também não achei que valesse a pena “mexer muito” numa história que de si já é insólita.

domingo, outubro 08, 2006

Dúvida Existencial

Que dizer quando não se sabe o que dizer mas, se sente que é nossa obrigação dizer algo?